Tempestades solares teriam detonado minas marítimas dos EUA

Tempestade solar afeta campo magnético da Terra (Foto: NASA Goddard Space Flight Center/Flickr: Magnificent CME Erupts on the Sun/ Wikipedia Commons)
 


Um relat&oacute;rio do impacto do clima do espa&ccedil;o e sua influ&ecirc;ncia nas opera&ccedil;&otilde;es militares no Vietn&atilde; na d&eacute;cada de 1970 foi encontrado enterrado nos arquivos da Marinha dos Estados Unidos, de acordo com um novo artigo publicado no <a href="https://agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1029/2018SW002024" target="_blank"><em>Space Weather</em></a>.


Em 4 de agosto de 1972, a tripula&ccedil;&atilde;o de um avi&atilde;o da For&ccedil;a-Tarefa US 77, voando perto de um campo de minas navais nas &aacute;guas de Hon La, observou 20 a 25 explos&otilde;es em cerca de 30 segundos. Eles tamb&eacute;m testemunharam 25 a 30 manchas de lama nas &aacute;guas pr&oacute;ximas.


Minas mar&iacute;timas explosivas foram implantadas em 1972 durante a Opera&ccedil;&atilde;o Pocket Money, uma campanha de minera&ccedil;&atilde;o contra os principais portos norte-vietnamitas. N&atilde;o havia raz&atilde;o &oacute;bvia para que tivessem sido detonado. Mas agora a Marinha dos EUA indicou a atividade solar extrema como uma causa prov&aacute;vel.


Quanto mais for poss&iacute;vel entender o impacto do clima espacial na tecnologia, melhor a humanidade poder&aacute; ficar preparada para qualquer futura atividade extrema do Sol.&nbsp;


<strong>Uma teoria solar</strong><br />
Conforme detalhado no relat&oacute;rio da Marinha, o evento provocou uma investiga&ccedil;&atilde;o sobre &quot;a(s) causa(s) potencial(is)&quot; das detona&ccedil;&otilde;es aleat&oacute;rias de tantas minas mar&iacute;timas&nbsp;&ndash; elas tinham um recurso de autodestrui&ccedil;&atilde;o, mas o tempo m&iacute;nimo n&atilde;o era mais do que 30 dias. Ou seja, outro fator havia provocado a detona&ccedil;&atilde;o.


Muitas das minas mar&iacute;timas eram de influ&ecirc;ncia magn&eacute;tica, projetadas para detonar quando detectassem mudan&ccedil;as no campo magn&eacute;tico.&nbsp; E a atividade solar &eacute; conhecida por causar altera&ccedil;&otilde;es magn&eacute;ticas, mas n&atilde;o estava claro se poderia causar as detona&ccedil;&otilde;es n&atilde;o intencionais das minas.&nbsp;


<em>Leia tamb&eacute;m:&nbsp;</em><br />
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<a href="https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/11/primeira-nave-interplanetaria-da-nasa-ficou-sem-combustivel-e-morreu.html" target="_blank">+&nbsp;Primeira nave interplanet&aacute;ria da NASA ficou sem combust&iacute;vel e &quot;morreu&quot;</a>


<strong>Erup&ccedil;&otilde;es solares</strong><br />
No in&iacute;cio de agosto de 1972, foi registrada uma regi&atilde;o de manchas solares, chamada MR 11976, onde desencadeou uma s&eacute;rie de flamas solares (explos&otilde;es energ&eacute;ticas de radia&ccedil;&atilde;o eletromagn&eacute;tica), eje&ccedil;&otilde;es de massa coronal (erup&ccedil;&otilde;es de plasma solar que normalmente acompanham as flamas) e nuvens de part&iacute;culas carregadas viajando quase na velocidade da luz.


Respons&aacute;veis ​​pela investiga&ccedil;&atilde;o do ocorrido visitaram o Laborat&oacute;rio de Ambiente Espacial da Administra&ccedil;&atilde;o Nacional Oceanogr&aacute;fica e Atmosf&eacute;rica (NOAA) para falar com astr&ocirc;nomos.


Um dos cientistas da NOAA era Brian Fraser, atualmente professor na Universidade Newcastle, na Austr&aacute;lia. Ele disse que se lembra bem do momento. &quot;Eu&nbsp;estava em minha primeira licen&ccedil;a sab&aacute;tica no NOAA trabalhando com o grupo de Wallace (Wally) Campbell, e um dia no escrit&oacute;rio de Wally notei um grupo de senhores com chap&eacute;u de bronze da Marinha dos EUA e ternos escuros&quot;, contou.&nbsp;


Fraser questionou o que estava acontecendo, e Wally explicou que os rapazes estavam preocupados com mudan&ccedil;as no campo magn&eacute;tico que poderiam estar detonando as minas mar&iacute;timas em Hai Phong, no Vietname do Norte (na&ccedil;&atilde;o que foi dissolvida em 1975 e integrada em um s&oacute; pa&iacute;s, o Vietn&atilde;).&nbsp;


N&atilde;o houve men&ccedil;&atilde;o se as minas haviam explodido ou n&atilde;o. O prov&aacute;vel &eacute; que Wally estivesse guardando segredo.&nbsp;


O resultado da investiga&ccedil;&atilde;o, como declarado no relat&oacute;rio da Marinha, detalhou &quot;um alto grau de probabilidade&quot; de que as minas haviam sido detonadas pela atividade da tempestade solar.&nbsp;


<strong>Interfer&ecirc;ncia solar</strong><br />
As tempestades solares causam fortes flutua&ccedil;&otilde;es no campo magn&eacute;tico, que afetam grandes infraestruturas da rede el&eacute;trica, particularmente nas regi&otilde;es de alta latitude sob as auroras do norte e do sul.


As tempestades do in&iacute;cio de agosto de 1972 n&atilde;o foram diferentes. Houve in&uacute;meros relatos na Am&eacute;rica do Norte de interrup&ccedil;&otilde;es de energia e na linha de tel&eacute;grafo. Como a luz foi incidida sobre o impacto nas minas mar&iacute;timas neste relat&oacute;rio, agora os cientistas t&ecirc;m outro exemplo das influ&ecirc;ncias clim&aacute;ticas do universo nas tecnologias terrestres.&nbsp;


A intensidade da atividade atingiu o pico quando uma explos&atilde;o solar de classe X, em 0621 UT, em 4 de agosto de 1972, lan&ccedil;ou uma eje&ccedil;&atilde;o de massa coronal ultrarr&aacute;pida que atingiu a Terra no tempo recorde de 14,6 horas. O vento solar normalmente leva de dois a tr&ecirc;s dias para chegar ao ambiente terrestre.&nbsp;


Cientistas acham que as eje&ccedil;&otilde;es anteriores mais lentas abriram o caminho para este evento r&aacute;pido: foi o impacto desse dist&uacute;rbio no vento solar na magnetosfera da Terra que provavelmente causou a detona&ccedil;&atilde;o das minas.&nbsp;


<em>*Brett Carter &eacute; professor no Instituto Real de Tecnologia de Melbourne, na Austr&aacute;lia. Este artigo foi publicado originalmente em ingl&ecirc;s no <a href="https://theconversation.com/blasts-from-the-past-how-massive-solar-eruptions-probably-detonated-dozens-of-us-sea-mines-105983" target="_blank">The Conversation</a>.</em>


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