Prisão de Joesley mostra que Lava Jato não perdeu ritmo com saída de Moro

Joesley Batista. Foto: Willian Moreira/Futura Press
Caro leitor,
Você deve estar perguntando: essa Operação Capitu, hoje deflagrada pela força-tarefada Polícia FederalReceita e Procuradoria, já tem o dedo do Moro?
Não, certamente não.
Claro que a chegada do juiz da Lava Jato animou os investigadores – aqui e ali ouve-se relatos de otimismo por dias melhores, mais verbas, mais pessoal. Mas Sérgio Moro mal esquentou a cadeira na Justiça, aliás só assume o posto de superministro em janeiro. E uma operação dessa envergadura, como a Capitu, que mobiliza mais de 300 agentes federais, com deslocamentos de efetivos por diferentes estados, não se faz da noite para o dia.
O inquérito que pegou Joesley – ele de novo! – e, ainda, o vice de Minas e outros 17 alvos teve início em maio, pela PF de Minas. O primeiro passo foi a delação do doleiro Lúcio Funaro, que apontou os caminhos da propina a servidores públicos e políticos que atuavam ‘direta ou indiretamente’ no Ministério da Agricultura , entre 2014 e 2015.
As cifras são alentadas, claro, como nos tem revelado a Lava Jato desde sempre. Aqui, as investigações apontam para R$ 7 milhões da JBS em propinas para o grupo político do MDB na Câmara.
A missão desta sexta, 9, mostra que a Lava Jato não perdeu o ritmo e a força e nem vive o seu ocaso. Havia, aparentemente, dado uma trégua na véspera das eleições – até porquê não se pode prender ninguém nessa época, exceto em flagrante -, mas a Capitu nos mostra que a maior operação de combate à corrupção já vista no País não baixou a guarda.
O avanço contra o esquema na Agricultura indica a rotina de malfeitos em setores da Pasta. É a primeira vez que os investigadores abrem essa caixa preta, embora com protagonistas de sempre, Eduardo CunhaJoesleySaud
No ano passado, a PF já havia batido à porta do Ministério, mas aí por uma outra razão, a Operação Carne Fraca.

Fausto Macedo, O Estado de São Paulo

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