Obama e Trump rivalizam em meio a esforços finais para eleições

O republicano Donald Trump e o democrata Barack Obama participaram de eventos de campanha neste domingo 5, enquanto seus partidos se preparam para as eleições de meio de mandato que serão realizadas na terça-feira 6 nos Estados Unidos.

Obama e Trump têm oferecido visões opostas para um país dividido entre campanhas que, neste domingo, buscaram consolidar votos e garantir comparecimento às urnas para a disputa pelo controle do Congresso e dos governos estaduais.

Nunca tanto dinheiro foi usado em uma votação de metade de mandato, gerando uma avalanche de anúncios em TV, rádio e internet.

O ex-presidente Barack Obama viajou a Gary, no Estado de Indiana, para fazer campanha pelo Senador Joe Donnelly, que enfrenta uma dura disputa com o empresário republicano Mike Braun. Mais tarde, o ex-presidente foi à Chicago em apoio a J.B. Pritzker, o candidato democrata ao governo de Illinois.

Obama tem reassumido papel público após um período em que evitou se contrapor diretamente às políticas de Trump, muitas delas voltadas a desmantelar o legado do ex-presidente. Sem citar o nome de seu sucessor, Obama acusou-o de se apoiar na arrogância e no medo e pediu que os democratas se mantenham atentos.

“Esses republicanos mentem de forma flagrante, repetida, ousada, vergonhosa. Inventam qualquer coisa”, denunciou Obama. “Ao contrário de outras pessoas, eu não invento nada quando falo, falo com base em fatos”, ironizou, sem citar o nome de Trump.

O democrata também ridicularizou a importância que seu sucessor tem dado à caravana de migrantes da América Central que se dirige à fronteira do México com os Estados Unidos. “Duas semanas antes da eleição, eles estão nos dizendo que a única grande ameaça para os Estados Unidos é um grupo de refugiados pobres e famintos, a 1 600 quilômetros de distância”, disse.

Trump rebateu acusando Obama de deixar para trás um rastro de promessas não cumpridas em áreas como comércio e a economia. O presidente participou de campanhas em Macon, na Georgia e Chattanooga, Tennessee, em apoio ao candidato ao governo da Georgia, Brian Kemp, e à candidata ao Senado pelo Tennessee, Marsha Blackburn.

Os democratas, atacou, “querem apagar as fronteiras e dar mais direitos aos clandestinos do que aos cidadãos americanos”.

O atual e o ex-presidente ainda são as figuras mais populares em seus respectivos partidos e suas aparições destinam-se a estimular os eleitores nos estágios finais de uma eleição parlamentar vista como um referendo sobre os dois primeiros anos de Trump na Casa Branca.

Pesquisas de opinião e analistas eleitorais mostram os democratas como favoritos para vencer na terça-feira os 23 assentos que necessitam para conquistar a maioria na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, o que lhes permitiria frustrar a agenda legislativa de Trump e investigar sua administração.

Já no Senado, em que apenas 35 das 100 cadeiras estão em disputa para mandatos de seis anos, os republicanos levam vantagem, porque as eleições acontecerão principalmente em estados conservadores.

Segundo as pesquisas, os republicanos devem manter sua pequena maioria de dois assentos, o que permitiria que eles retivessem o poder de aprovar as indicações para a Suprema Corte dos EUA e outras indicações judiciais.

Gastos

Nunca tanto dinheiro foi usado em uma votação de metade de mandato, gerando uma avalanche de anúncios em TV, rádio e internet.

Em um ou outro lado, foram gastos mais de 5 bilhões de dólares para influenciar o voto dos americanos, superando em 35% o recorde anterior, estabelecido em 2014, segundo o site especializado Opensecrets.org.

O fluxo de dinheiro e entusiasmo provém principalmente do campo democrata, decidido a romper o domínio republicano no Legislativo.

Até a manhã de domingo, quase 34,4 milhões de pessoas tinham votado com antecedência nas eleições de meio de mandato, de acordo com o Projeto Eleitoral da Universidade da Flórida, que acompanha a participação.

(Com Estadão Conteúdo, Reuters e AFP)

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