Julia Roberts: ‘É uma bobagem que bons papéis acabam quando você fica mais velha’

Julia Roberts em 'Homecoming', série do Amazon Prime Foto: Divulgação

Julia Roberts em ‘Homecoming’, série do Amazon Prime Foto: Divulgação
Atriz de 51 anos é estrela de ‘Homecoming’, sua primeira série de TV


TORONTO – No início, “Homecoming” era um podcast de ficção, idealizado pela jovem dupla de roteiristas Eli Horowitz e Micah Bloomberg, que girava em torno de temas caros aos americanos: ganância das corporações, descaso com os veteranos de guerra, segredos nos porões do Pentágono. Logo a história — com vozes de Catherine Keener, David Schwimmer e Oscar Isaac — virou um sucesso e, dois anos depois,com a mutação em uma série de TV passada num futuro próximo, com Julia Roberts à frente do elenco, tornou-se a principal aposta da temporada do Amazon Prime.

— Achávamos que teríamos alguma possibilidade de atrair ouvintes quando colocamos o podcast na rede, mas não que Hollywood nos abraçaria deste modo. O formato do podcast foi fundamental, para a adaptação para a TV, os personagens já estão ali, é só dar um rosto ao que se ouve — diz Bloomberg.
São dez episódios do thriller psicológico disponíveis desde sexta-feira. Julia faz sua estreia como protagonista na telinha, na pele da terapeuta e assistente social Heidi Bergman. Em um primeiro momento, o espectador a encontra em ação, na Flórida, às voltas com soldados que acabaram de voltar do Oriente Médio, em processo de readaptação à vida civil. Cenas do futuro, no entanto, mostram Heidi ganhando a vida como garçonete e cuidando da mãe, doente, em algum canto da Costa Leste americana.
Cena de 'Homecoming'. Direção da série é de Sam Esmail, de 'Mr. Robot' Foto: Divulgação
Cena de ‘Homecoming’. Direção da série é de Sam Esmail, de ‘Mr. Robot’ Foto: Divulgação
Em meio a uma investigação do próprio governo, a personagem se recusa a falar do que aconteceu em “Homecoming” (“voltando para casa”, em tradução livre, e também o nome do local em que ela trabalhava). A direção é de Sam Esmail, e o final é de se perder o fôlego, bem ao estilo do profissional celebrado pela série “Mr. Robot”, cuja temporada final será apresentada ano que vem.
— Fiz “Homecoming” porque queria trabalhar com o Sam. Mas esta coisa de alquimia e tal, você nunca sabe de fato o que vai rolar, né? Só quando começa a zanzar pelo set. Não tem fórmula, é o resultado da interseção dos desejos dos envolvidos com alguma sorte. Como tivemos sorte! — exalta Julia, em entrevista no Festival de Cinema de Toronto.
O plural, aqui, inclui um elenco afinado em que ainda se destacam Sissy Spacek, como mãe de Heidi, um iluminado Bobby Cannavale, que vive o investidor mala sem alça responsável pelo projeto Homecoming, o instrutor afável de Alex Karpovsky (conhecido do público pela série “Girls”), e a intensa dupla de soldados vivida por Stephan James (cotado para o Oscar pelo novo filme de Berry Jenkins, “Se a rua Beale falasse”) e Jeremy Allen White (da série “Shameless”).

Plataforma é o de menos

“Homecoming” — já renovada para segunda temporada — foi bem recebida no festival e é quase unanimidade de crítica no Hemisfério Norte, com 98% de aprovação no site agregador de resenhas Rotten Tomatoes. Julia não vê mais diferença em produções de cinema ou produtos menos grandiosos:
— Vivemos em uma época agnóstica quando pensamos em plataforma. Não faz mais tanta diferença assim. O foco, agora, é cada vez mais na história.
Em Toronto, a atriz apresentou também “O retorno de Ben”, que chega em fevereiro aos cinemas brasileiros. No filme, vive a mãe de um adolescente (Lucas Hedges) que retorna de surpresa para o Natal em família após passar uma temporada em um centro de reabilitação para dependentes químicos. O drama foi elogiado no festival.
— É uma bobagem essa história de que os bons papéis acabam quando você fica mais velha. Tive sorte em 30 anos de carreira de encontrar os papéis que queria fazer na hora certa — diz Julia.
Eduardo Graça, O Globo

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