Curso para tirar dúvidas sobre a cannabis medicinal chega ao Brasil

Medicina canabiótica: uma alternativa? (Foto: Flickr / Bangla Photography)
 


O uso da cannabis como uma alternativa aos tratamentos medicinais não é recente. Na verdade existem registros de milhares de anos que apontam o uso da planta como alternativa terapêutica às doenças. Apesar disso, o assunto continua polêmico. Por isso, o CEC (Centro de Excelência Canabinóide), em parceria com a empresa americana Medical Marijuana 411, trouxe ao Brasil o primeiro curso online voltado para a certificação na área.


De acordo com Pedro Pierro, neurocirurgi&atilde;o e diretor m&eacute;dico do CEC, no Brasil ainda existe muito preconceito quando se ouve falar nesse tipo de tratamento. &ldquo;Eu mesmo n&atilde;o entendia como a cannabis poderia ajudar. Quando um pai de um dos meus pacientes disse que estava usando o &oacute;leo de <a href="https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/09/cannabis-medicinal-reduz-sintomas-de-varias-doencas-diz-estudo.html">cannabis </a>para atenuar as rea&ccedil;&otilde;es da doen&ccedil;a, eu pensei que ele estava louco&rdquo;, conta o doutor. Foi ent&atilde;o que ele decidiu procurar mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o assunto e percebeu que, apesar de muito material sobre a quest&atilde;o, era dif&iacute;cil diferenciar o que era ou n&atilde;o confi&aacute;vel.


&ldquo;Vendo tanto preconceito acumulado com desinforma&ccedil;&atilde;o, pensamos em trazer esse material para o Brasil. A ideia &eacute; que a pessoa fa&ccedil;a o curso e crie sua pr&oacute;pria opini&atilde;o sobre a cannabis medicinal&rdquo;, explica ele.


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O curso &mdash; que n&atilde;o emite certifica&ccedil;&atilde;o brasileira, mas sim pelos estados norte-americanos de Washington e Alasca&nbsp;&mdash; &eacute; estruturado em 11 m&oacute;dulos. Ele &eacute; feito para m&eacute;dicos que j&aacute; prescrevem ou querem prescrever o &oacute;leo, profissionais da &aacute;rea da sa&uacute;de em busca de mais conhecimento, al&eacute;m de graduandos em medicina, residentes ou rec&eacute;m-formados. Apesar de trazer conceitos que s&atilde;o mais familiares a quem tem contato com a &aacute;rea, qualquer pessoa pode realizar as aulas.


Cada m&oacute;dulo abrange um v&iacute;deo que s&atilde;o separados nos seguintes temas: vis&atilde;o jur&iacute;dica sobre o assunto, regulamentos da cannabis e posicionamento da Anvisa (Ag&ecirc;ncia Nacional de Vigil&acirc;ncia Sanit&aacute;ria), hist&oacute;ria do uso da planta e restri&ccedil;&otilde;es e cen&aacute;rio atual. Ainda h&aacute; a an&aacute;lise do sistema endocanabin&oacute;ide (receptor no corpo humano da subst&acirc;ncia e enzimas que trabalham como sinalizadores entre as c&eacute;lulas e comportamento), dosagens, contraindica&ccedil;&otilde;es, testes de laborat&oacute;rio e pr&aacute;tica cl&iacute;nica direcionada a diversos problemas de sa&uacute;de, entre outros t&oacute;picos.


&ldquo;N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio fazer o curso para ser um prescritor da cannabis, mas aquele que realiza o curso acaba tendo condi&ccedil;&otilde;es de ter um maior entendimento sobre o assunto e conseguir diferenciar o material dispon&iacute;vel na internet&rdquo;, alega Pierro. &ldquo;Com um maior conhecimento, o m&eacute;dico ter&aacute; uma seguran&ccedil;a maior de que ele n&atilde;o est&aacute; fazendo nada fora dos padr&otilde;es normais.&rdquo;


Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel encontrar no site do CEC o curso chamado 101, que foi desenvolvido para pessoas com problemas de sa&uacute;de que j&aacute; se tratam ou querem buscar essa alternativa para lidar com suas doen&ccedil;as no dia a dia. &ldquo;Esse m&oacute;dulo &eacute; direcionado para pacientes que buscar entender como a medicina cannabi&oacute;tica pode auxili&aacute;-los&rdquo;, diz o especialista.
O Dr. Pedro Pierro é o responsável por trazer o curso sobre medicina canabiótica ao Brasil (Foto: Divulgação)
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<strong>Medicina Canabin&oacute;ide no Brasil</strong>


No Brasil, o uso e cultivo da maconha para consumo recreativo &eacute; proibido. Todavia, a utiliza&ccedil;&atilde;o da erva de forma terap&ecirc;utica vem avan&ccedil;ado conforme os anos. Hoje ela pode ser indicada para acompanhar o tratamento de diversas doen&ccedil;as, como esclerose m&uacute;ltipla, esquizofrenia, ansiedade, paralisia cerebral, entre outras.


Em 2015, a Anvisa aprovou a importa&ccedil;&atilde;o de produtos que utilizam o canabidiol, derivado da maconha, para fins medicinais. Em 2016, foi a vez do tetrahidrocanabinol (THC), princ&iacute;pio ativo da erva, ganhar autoriza&ccedil;&atilde;o para prescri&ccedil;&atilde;o e importa&ccedil;&atilde;o por interm&eacute;dio do &oacute;rg&atilde;o.


Um passo maior foi dado em 2017, quando a ag&ecirc;ncia autorizou o <a href="https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2017/05/anvisa-da-primeiro-passo-para-regulamentar-cannabis-como-planta-medicinal.html">registro do medicamento Mevatyl&reg; no pa&iacute;s</a>, feito &agrave; base de THC e canabidiol para tratar de espasticidades relacionadas &agrave; esclerose m&uacute;ltipla.


Hoje, &eacute; poss&iacute;vel recorrer ao &oacute;leo de cannabis depois que o paciente esgotar os tratamentos com medicamentos mais comuns. Contudo, o processo n&atilde;o &eacute; r&aacute;pido e chega a ser um pouco burocr&aacute;tico. &ldquo;Se tiver a comprova&ccedil;&atilde;o de que outras vias n&atilde;o surtiram efeito, deve-se apresentar &agrave; Anvisa a receita m&eacute;dica, um relat&oacute;rio realizado pelo m&eacute;dico em que h&aacute; todos os sobre&nbsp; doen&ccedil;a, hist&oacute;rico e evolu&ccedil;&atilde;o do paciente e um termo de consentimento e responsabilidade&rdquo;, explica Pierro.


Para se calcular a dosagem certa de cada embalagem do rem&eacute;do, deve-se calcular, de acordo com o Pierro, 50 mg da cannabis por cada quilo do paciente. &ldquo;Na verdade, o tamanho do frasco depende muito de qual doen&ccedil;a est&aacute; se tratando, mas um que tenha de 60 a 10 ml, por exemplo, chega a custa R$ 1 mil&rdquo;, finaliza o m&eacute;dico.


Segundo o especialista, atualmente existem 600 m&eacute;dicos no Brasil que possuem a autoriza&ccedil;&atilde;o da ag&ecirc;ncia nacional para prescrever o &oacute;leo de cannabis no Brasil. &Eacute; importante tmb&eacute;m lembrar que &eacute; proibido fazer estoque dos frascos do rem&eacute;dio por aqui.


<em>*Com edi&ccedil;&atilde;o de Thiago Tanji</em>


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