Conferência em Madri debate novos métodos de prevenção do HIV

Anel vaginal que libera medicamentos antirretrovirais pode ser nova técnica para prevenir o HIV. Foto: Flickr (CC)/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID)

Anel vaginal que libera medicamentos antirretrovirais pode ser nova técnica para prevenir o HIV. Foto: Flickr (CC)/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID)

Novos métodos de prevenção do HIV, como a injeção semestral de substâncias capazes de impedir a infecção, foram tema de uma conferência em Madri, na Espanha. Encontro teve a participação do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (UNAIDS). Durante o evento, especialistas apresentaram inovações para conter o estabelecimento do vírus no corpo humano, mas ressaltaram que técnicas inéditas vão demorar para chegar ao público.

Uma das tecnologias discutidas foi a profilaxia pré-exposição (PrEP) injetável. A PrEP é o uso de medicamentos antirretrovirais antes do contato com o HIV, o que impede a infecção pelo vírus. Atualmente, quem recorre a esse método precisa tomar comprimidos diariamente. Com o desenvolvimento de uma fórmula capaz de ser consumida via injeção, em intervalos de seis meses, não seria mais necessário se preocupar em esquecer de ingerir os remédios todos os dias.

Outra forma de utilizar a PrEP é por meio de anéis vaginais, que trazem para as mulheres mais controle e autonomia sobre a prevenção. A técnica garante proteção independentemente das escolhas do parceiro.

Mas ambas as inovações estão longe de serem uma realidade concreta na vida das pessoas. Isso porque as pesquisas sobre a PrEP de longa duração só devem apresentar resultados a partir de 2021. Já o anel vaginal, embora esteja sendo analisado para aprovação regulatória pela Agência Europeia de Medicamentos, deverá custar caro quando tiver suas primeiras versões autorizadas.

Realizada entre 21 e 25 de outubro, a conferência também discutiu o uso de anticorpos e de moléculas capazes de imitá-los, atuando como uma barreira ao HIV. Os participantes explicaram que muito progresso foi feito no desenvolvimento desses anticorpos. Os resultados dos testes que mostram sua eficácia devem ser publicados em 2020.

“A ciência nos proporcionou avanços extraordinários em tecnologias para o diagnóstico, tratamento e monitoramento da infecção pelo HIV. Agora, existe uma empolgação real de que, nos próximos anos, ela também nos direcione a ferramentas efetivas e acessíveis de prevenção”, disse o consultor científico, Peter Godfrey-Faussett, durante a conferência, realizada entre 21 e 25 de outubro.

HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis

Outro tema da conferência foi a vulnerabilidade de pessoas que não têm HIV, mas vivem com outras infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) em áreas afetadas pela epidemia do vírus da AIDS.

As taxas de incidência das principais ISTs bacterianas tratáveis vêm aumentando regularmente. Os índices chegam a níveis alarmantes entre homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, bem como entre a juventude das regiões leste e sul da África. O fenômeno é causado em parte pela diminuição do uso de preservativos.

Muitas ISTs não apresentam sintomas e só podem ser diagnosticadas com exames diagnósticos modernos — que são simples, mas ainda muito caros para os países que mais precisam deles. Uma abordagem integrada de prevenção poderia oferecer PrEP para pessoas que não possuem o HIV, mas que têm uma IST e moram em locais com prevalência do vírus da AIDS.

Um dos problemas associados às novas tecnologias de prevenção é o seu custo. A modelagem matemática mostra que esses métodos poderão ter um impacto limitado nas porções leste e sul do continente africano. Isso porque as despesas para evitar uma infecção pelo HIV por meio do anel vaginal com PrEP oscilariam de 10 mil a 100 mil dólares.

Com essa técnica, uma proporção pequena — de 1,5 a 2,5% — das infecções pelo HIV seriam evitadas nos próximos 18 anos no Quênia, Uganda, Zimbábue e África do Sul.

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