Chefe da ONU alerta para riscos do uso de inteligência artificial em armamentos

Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante Web Summit em Lisboa, Portugal. Foto: Reprodução

Secretário-geral da ONU, António Guterres, durante Web Summit em Lisboa, Portugal. Foto: Reprodução

Em um cenário em que as máquinas realizam cada vez mais atividades antes reservadas aos humanos — como diagnósticos médicos e vigilância policial —, há riscos quando a inteligência artificial também passa a ser utilizada em armamentos, disse na segunda-feira (5) o secretário-geral da ONU, António Guterres, participando de evento em Lisboa, Portugal, sobre Internet e tecnologia.

“A transformação de inteligência artificial em armas é um sério perigo”, disse o chefe da ONU na ocasião, ao alertar contra o impacto da tecnologia nas guerras.

“Com a transformação de inteligência artificial em armas, a possibilidade de armas autônomas que podem selecionar e destruir alvos irá dificultar a prevenção de conflitos e a garantia de respeito à lei humanitária internacional e à lei internacional de direitos humanos”, salientou.

Aplaudido, o secretário-geral afirmou que: “máquinas que possuem o poder e o discernimento de tirar vidas humanas são politicamente inaceitáveis, são moralmente repugnantes e devem ser banidas por lei internacional”.

Guterres disse que, por conta da velocidade do avanço tecnológico, novas plataformas precisam ser criadas para responder aos problemas atuais das sociedades. Ele enfatizou desejar que a ONU seja uma plataforma onde vários grupos possam se unir para discutir e estabelecer protocolos e outros mecanismos para que ciberespaço, Internet e inteligência artificial “sejam essencialmente uma força para o bem”.

Avanços tecnológicos estão ocorrendo “em uma velocidade extremamente rápida”, disse ele, destacando que mais de “90% dos dados que existem hoje no mundo foram criados nos últimos dois anos”. O chefe da ONU ressaltou que, enquanto costumava custar 1 milhão de dólares para armazenar um megabyte de dados, o preço atual é de menos de dois centavos.

Tecnologias como blockchain – registros digitais ligados por criptografia – ou testagem de genes agora são tecnologias comuns, afirmou. “A inteligência artificial está em todos os lugares, ajudando a comprar e vender ações, ajudando a vigilância policial e até mesmo ajudando pessoas a encontrar suas almas gêmeas”, disse.

Ele afirmou que tecnologia está gerando enormes benefícios, fornecendo curas para doenças, ajudando na luta contra a fome, impulsionando desenvolvimento econômico e crescimento global, e atacando com eficácia problemas mundiais.

No entanto, reconhecendo que a globalização é desequilibrada e desigual, o chefe da ONU citou a Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) como o novo plano da ONU para ajudar a reverter a desigualdade.

Ele disse que a tecnologia de ponta é essencial para alcançar os ODS. “O UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) agora é capaz de mapear as conexões entre escolas e áreas remotas”, afirmou, acrescentando que o Programa Mundial de Alimentos (PMA) está usando blockchain para monitorar pagamentos aos beneficiários de ajuda e que a Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) está usando biotecnologias em identificação, apoio e proteção de refugiados.

Guterres alertou que o mundo não está se preparando para o impacto social da “quarta revolução industrial”, que inclui nova criação de empregos, mas também redundância para algumas funções que ficaram obsoletas devido à tecnologia, o que deve resultar em desemprego e conflitos sociais.

Ele destacou que, embora “um investimento maciço em educação” e “uma nova geração de redes de segurança” sejam necessários, mais ações precisam ser tomadas para responder a este desafio.

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