Apoio de agência da ONU para refugiados é essencial para salvar vidas no Iêmen

Hassan Naser, de 61 anos, foi obrigado a fugir de casa em Áden, no Iêmen, há três anos e, agora, vive com esposa e quatro filhos na casa de parentes na capital, Sanaa. Foto: ACNUR

Hassan Naser, de 61 anos, foi obrigado a fugir de casa em Áden, no Iêmen, há três anos e, agora, vive com esposa e quatro filhos na casa de parentes na capital, Sanaa. Foto: ACNUR

Hassan Naser, de 61 anos, foi obrigado a fugir de casa em Áden, no Iêmen, há três anos e, agora, vive com esposa e quatro filhos na casa de parentes na capital, Sanaa. Caminhando com a ajuda de uma bengala improvisada, ele conseguiu obter assistência em dinheiro em um banco na capital iemenita, que será vital para sua sobrevivência e de sua família.

“Sofro de insuficiência renal e só posso andar muito devagar, porque tenho um disco deslizado. Vou usar a maior parte do dinheiro para pagar remédios e a outra parte para quitar os alugueis atrasados da nossa casa.”

A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) intensificou os esforços para garantir que as pessoas deslocadas pelo conflito no Iêmen, como Naser, tenham acesso a recursos para suprir suas necessidades mais urgentes de abrigo e proteção.

O porta-voz do ACNUR, Andrej Mahecic, disse que a assistência é uma salvação para as famílias deslocadas mais vulneráveis, pois permite atender suas necessidades urgentes.

“As atuais condições de fome e o surto de cólera no Iêmen se somam aos impactos que o conflito já provocou, como os deslocamentos maciços e o aumento do número de mortes de civis”, disse Mahecic durante coletiva de imprensa em Genebra.

“Continua sendo vital que as ações para salvar pessoas – incluindo medidas de proteção e abrigos emergenciais – sejam apoiadas em paralelo com programas de alimentação, de saúde e de educação”, completou.

As cerca de 20 mil famílias que se beneficiaram da assistência do ACNUR fugiram para áreas seguras ou voltaram para suas casas depois de serem deslocadas. Muitas encontram suas casas em ruínas e lutam para sobreviver.

Entre os beneficiados está também Siham Abduallah, de 27 anos, que há quatro meses fugiu da cidade portuária de Hodeida, no oeste do país, com seus dois filhos e seu irmão gêmeo, Bassam, que também tem um filho. Eles agora vivem em acomodações temporárias em Sanaa.

“Estamos ficando sem alimentos. Vou usar o dinheiro para comprar comida e pagar o aluguel. Meus vizinhos às vezes nos dão um pedaço de pão, porque não temos comida em casa. Eu tenho uma criança deficiente que precisa de tratamento. É frio em Sanaa e ele está ficando doente”, acrescentou.

Mais de 22 milhões de pessoas precisam de assistência no Iêmen em meio à guerra iniciada em 2015. Desse total, 2,7 milhões estão deslocados internamente.

O ACNUR está trabalhando com o banco Al Amal para distribuir dinheiro diretamente por meio de um sistema que, apesar do conflito, continua funcionando. Isso permite que a agência da ONU forneça assistência às famílias em áreas remotas e de difícil acesso. O dinheiro evita a necessidade de recorrer a medidas desesperadas, como o trabalho infantil e o casamento forçado.

Até o momento, o ACNUR utilizou mais de 41 milhões de dólares, beneficiando 700 mil deslocados internos, retornados e comunidades receptoras afetadas pelo conflito, bem como 130 mil refugiados e solicitantes de refúgio no país.

A guerra no Iêmen, que já era um dos países mais pobres do Oriente Médio, agravou a pobreza e a insegurança. A intensificação da violência afetou milhões de vidas, resultando no aumento de fatalidades e no deslocamento massivo. A situação vem se deteriorando rapidamente.

Dois milhões de pessoas se encontram em condições desesperadoras, longe de suas casas e incapazes de satisfazer suas necessidades mais básicas. As condições são tão sérias que quase 1 milhão de iemenitas deslocados perderam a esperança e tentaram voltar para casa, embora ainda não seja seguro.

O Iêmen está enfrentando uma catástrofe humanitária. Sem ajuda, mais vidas serão perdidas pela violência, por doenças que poderiam ser tratadas ou pela simples falta de comida, de água e de abrigo.

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