A Floresta Amazônica está em risco por conta das mudanças climáticas

Floresta Amazônica não acompanha as mudanças climáticas (Foto: Wikipedia / Shao)
 


Uma equipe formada por mais de 100 cientistas vem avaliando o impacto do <a href="https://revistagalileu.globo.com/galileu-e-o-clima/noticia/2018/09/economia-brasileira-sera-uma-das-mais-impactadas-pelo-aquecimento-global.html">aquecimento global </a>em milhares de esp&eacute;cies de &aacute;rvores da Floresta Amaz&ocirc;nica. O resultado, publicado no peri&oacute;dico&nbsp;<em><a href="https://onlinelibrary.wiley.com/journal/13652486">Global Change Biology</a>,</em>&nbsp;mostrou que, nos &uacute;ltimos 30 anos, as esp&eacute;cies arb&oacute;reas est&atilde;o tentando se adaptar &agrave;s novas temperaturas, mas n&atilde;o conseguem faz&ecirc;-lo r&aacute;pido.


Liderada por cientistas da Universidade de Leeds, do Reino Unido, a pesquisa avaliou registros da Rede de Invent&aacute;rio da Floresta Amaz&ocirc;nica (RAINFOR) para rastrear o desenvolvimento de cada &aacute;rvore individualmente. A an&aacute;lise mostrou que desde a d&eacute;cada de 1980, os efeitos das mudan&ccedil;as ambientais (como secas mais fortes, aumento de temperaturas e altos n&iacute;veis de di&oacute;xido de carbono na atmosfera) t&ecirc;m impactado lentamente o crescimento e a mortalidade de alguma esp&eacute;cies.


De acordo com os pesquisadores, as &aacute;rvores que s&atilde;o mais adaptadas a climas &uacute;midos est&atilde;o morrendo com maior frequ&ecirc;ncia. Por&eacute;m, as que est&atilde;o mais acostumadas com climas secos n&atilde;o est&atilde;o sendo capazes de substitu&iacute;-las t&atilde;o r&aacute;pido.


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&quot;A resposta do ecossistema est&aacute; atrasada em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; taxa de mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. Os dados nos mostraram que as secas que atingiram a bacia amaz&ocirc;nica nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas tiveram s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias para a composi&ccedil;&atilde;o da floresta, com maior mortalidade das esp&eacute;cies arb&oacute;reas mais vulner&aacute;veis&quot;, explicou Adriane Esquivel Muelbert, da Escola de Geografia de Leeds.


A equipe tamb&eacute;m concluiu que &aacute;rvores de copa &ndash; que s&atilde;o aquelas bem altas que ficam em um n&iacute;vel superior &agrave;s outras &ndash; se adaptaram melhor &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas e isso fez com que come&ccedil;assem a competir com as &quot;baixinhas&quot;. Isso porque elas t&ecirc;m mais benef&iacute;cios com o aumento do di&oacute;xido de carbono. Outras esp&eacute;cies arb&oacute;reas que est&atilde;o se dando bem com essas altera&ccedil;&otilde;es s&atilde;o as chamadas &ldquo;pioneiras&rdquo;, que s&atilde;o as que brotam rapidamente em clareiras deixadas por outras que morreram.


O coautor do estudo, Oliver Phillips, professor de Ecologia Tropical em Leeds e fundador da RAINFOR, declarou: &quot;O aumento em algumas &aacute;rvores pioneiras condiz com as mudan&ccedil;as observadas na din&acirc;mica da floresta. Ele tamb&eacute;m pode, em &uacute;ltima an&aacute;lise, ser impulsionado pelo aumento dos n&iacute;veis de di&oacute;xido de carbono&quot;.


J&aacute; Kyle Dexter, da Universidade de Edimburgo, explicou que o impacto das altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas nas comunidades florestais tem consequ&ecirc;ncias importantes para a biodiversidade das florestas tropicais. &quot;As esp&eacute;cies mais vulner&aacute;veis &agrave;s secas est&atilde;o duplamente em risco, pois est&atilde;o localizadas no cora&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia, o que as torna mais propensas a serem extintas se esse processo continuar.&quot;


Os especialistas ressaltam que as descobertas mostram a necessidade de medidas rigorosas para proteger as partes da floresta que ainda est&atilde;o intactas. &quot;O <a href="https://revistagalileu.globo.com/Ciencia/noticia/2018/05/desmatamento-esta-encolhendo-os-peixes-da-amazonia.html">desmatamento </a>para agricultura e pecu&aacute;ria &eacute; conhecido por intensificar as secas nesta regi&atilde;o, o que est&aacute; aumentando os efeitos j&aacute; causados pela mudan&ccedil;a clim&aacute;tica global&quot;, finaliza Dexter.


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